O mercado cervejeiro em dados: lançado o Anuário da Cerveja 2025 e o Rio Grande do Sul segue protagonista nacional
- há 6 dias
- 5 min de leitura
Atualizado: há 11 horas

Brasília foi palco, semana passada, de um momento relevante para toda a cadeia cervejeira brasileira: o lançamento oficial do Anuário da Cerveja 2025, documento elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) que consolida os principais indicadores do setor no país.
Mais do que uma publicação estatística, o Anuário se tornou, ao longo dos anos, uma ferramenta estratégica para compreender a evolução do mercado cervejeiro brasileiro, medir tendências, dimensionar impactos econômicos e fornecer embasamento técnico para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.
Os números revelados nesta edição mostram um cenário de contrastes: o Brasil alcança um novo recorde histórico no número de cervejarias registradas, mas também evidencia sinais claros de desaceleração do crescimento e de consolidação do mercado.
Para o Rio Grande do Sul, os dados reforçam algo que o setor já conhece bem: seguimos entre os maiores polos cervejeiros do país — mas atravessando um período desafiador, que exige atenção, diálogo institucional e medidas concretas de estímulo às microcervejarias.
Brasil bate recorde, mas crescimento desacelera
O Anuário aponta que o Brasil chegou à marca de 1.954 cervejarias registradas em 2025.
Embora seja o maior número de estabelecimentos da série histórica, o avanço foi de apenas 0,3% em relação ao ano anterior, configurando o menor crescimento desde o início do levantamento.
Ainda assim, quando observado o período completo analisado pelo MAPA, o setor apresenta um crescimento acumulado impressionante de 4.785% no número de cervejarias registradas.
O dado demonstra a consolidação da cerveja como um importante segmento econômico nacional, capaz de movimentar bilhões de reais, fomentar cadeias produtivas, impulsionar o turismo, a gastronomia, a inovação e gerar empregos em todo o território brasileiro.
Rio Grande do Sul permanece como o 2º maior estado cervejeiro do Brasil
Mesmo diante de um cenário mais complexo, o Rio Grande do Sul continua ocupando a segunda posição nacional em número de cervejarias, atrás apenas de São Paulo.
O estado passou de 349 cervejarias registradas em 2024 para 325 em 2025, representando uma redução de 24 estabelecimentos (-6,9%).
O dado mais preocupante, entretanto, está relacionado aos encerramentos de registros.
Segundo o levantamento do MAPA, o Rio Grande do Sul foi o estado brasileiro com maior número de cancelamentos e vencimentos de registros de cervejarias em 2025: foram 36 ocorrências, equivalentes a 22,8% de todos os cancelamentos registrados no país.
Na prática, isso significa que, no último período, o estado registrou 36 fechamentos ou perdas de registros, enquanto apenas 12 novas cervejarias foram abertas.
Embora os números reafirmem a relevância histórica do mercado gaúcho, eles também acendem um alerta importante sobre o atual ambiente econômico e operacional enfrentado pelas microcervejarias.
Custos de produção, ambiente tributário, desafios regulatórios, retrações de mercado e mudanças no comportamento de consumo compõem um contexto que exige acompanhamento permanente e ações estruturantes para preservar a competitividade do setor.
Porto Alegre segue entre as maiores cidades cervejeiras do país
No ranking municipal, São Paulo permanece como a cidade brasileira com maior número de cervejarias, somando 61 estabelecimentos.
Logo atrás aparece Porto Alegre, consolidando-se como a segunda cidade cervejeira do Brasil, com 35 cervejarias registradas.
O Rio Grande do Sul ainda mantém outras cidades em posições de destaque nacional:
Caxias do Sul ocupa a 5ª posição, com 21 cervejarias;
Santa Cruz do Sul aparece em 23º lugar, com 10 cervejarias.
Por outro lado, o anuário também evidencia retrações importantes nos principais polos cervejeiros gaúchos.
Porto Alegre reduziu seu número de estabelecimentos de 43 para 35. Já Caxias do Sul apresentou queda de 11 para 10 cervejarias. Municípios tradicionalmente relevantes para o setor, como Bento Gonçalves e Farroupilha, também registraram diminuição em seus números.
O RS segue entre os estados mais “cervejeiros” do Brasil
Apesar da redução no número absoluto de cervejarias, o Rio Grande do Sul continua apresentando um dos ambientes cervejeiros mais capilarizados do país.
Atualmente, 145 municípios gaúchos possuem ao menos uma cervejaria registrada.
No indicador de densidade cervejeira por unidade da federação, o estado ocupa agora a segunda posição nacional, com uma marca de uma cervejaria para cada 34.554 habitantes.
Santa Catarina assumiu a liderança nacional, com um estabelecimento para cada 32.625 habitantes.
Ainda assim, o indicador reforça a forte presença da cultura cervejeira distribuída pelo território gaúcho, indo muito além dos grandes centros urbanos.
Linha Nova lidera a densidade cervejeira brasileira
O protagonismo gaúcho também aparece no ranking municipal de densidade cervejeira.
O município de Linha Nova/RS segue como o local com maior densidade cervejeira do Brasil, apresentando uma cervejaria para cada 860 habitantes.
Com apenas 1.720 moradores e duas cervejarias instaladas, a cidade permanece como símbolo da forte relação entre identidade regional e produção cervejeira.
O Rio Grande do Sul também é o estado com maior presença entre os municípios de maior densidade cervejeira do país, contabilizando 19 cidades entre as 25 primeiras colocadas do ranking nacional.
Como novidade nesta edição, Coqueiros do Sul e Forquetinha passaram a integrar a lista.
Empregos, produção e tendências de mercado
O setor cervejeiro segue demonstrando relevância econômica expressiva.
O número de trabalhadores empregados diretamente no Brasil parece consolidar-se em um novo patamar, superando a marca de 42 mil empregos diretos.
O Rio Grande do Sul responde por 2.479 empregos diretos, evidenciando a importância da atividade para a economia estadual.
Em relação à produção, o volume declarado nacionalmente alcançou 15,68 bilhões de litros, embora tenha sido observada uma redução de 8,85% na produção nacional em comparação ao ano anterior.
Outro dado relevante do levantamento revela a elevada concentração produtiva do mercado: apenas 5% das cervejarias brasileiras respondem por quase 99% do volume nacional produzido.
No campo das tendências, o anuário confirma movimentos que vêm ganhando força globalmente.
A produção de cervejas sem álcool ou desalcoolizadas já representa 1,27% da produção nacional.
Já o segmento de cervejas sem glúten apresentou crescimento superior a 400% em volume produzido, reforçando a busca do mercado por inovação, diversificação de portfólio e novas experiências de consumo.
Dados estratégicos para fortalecer o setor
Para a AGM – Associação Gaúcha de Microcervejarias, o Anuário da Cerveja vai muito além dos números.
Ele oferece informações essenciais para orientar decisões, compreender transformações de mercado e, principalmente, fortalecer a defesa institucional das microcervejarias gaúchas.
Ter acesso a indicadores sólidos permite fundamentar propostas, dialogar com os poderes públicos e seguir construindo agendas voltadas à competitividade, sustentabilidade econômica, inovação e desenvolvimento regional.
Os dados desta edição reforçam uma mensagem importante: o Rio Grande do Sul continua sendo uma potência cervejeira nacional. Mas preservar esse protagonismo passa, necessariamente, pelo fortalecimento do ambiente de negócios, por políticas adequadas ao porte das microcervejarias e pela união do setor em torno de pautas comuns.
O Anuário da Cerveja 2025 já está disponível para consulta no site oficial do MAPA ou no link: https://72eaf9f8-66ec-4715-90d7-0d9a8365cb27.usrfiles.com/ugd/72eaf9_85e24dfd90124b15a6e467bfad51ddb2.pdf























Comentários